quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Olho por olho, dente por dente

Reclamar e ser chato cansa, e muito, ainda mais pra quem lê as reclamações. Porém, é inadmissível a falta de educação e respeito de grande parte do povo. Ontem fui mais uma vez ao famoso estádio Mané Garrincha, que aliás já virou pauta corriqueira aqui no blog. Desta vez não fui para ver um jogo e sim um show. Não vou me prender a acessibilidade, a qual já falei em outros posts e continua a mesma, com as mesmas facilidades e os mesmos problemas, que aliás não são nada graves. O verdadeiro problema é o povo e sua falta de educação.

Se sou fã da Beyoncé? Não, fui para fazer companhia, mas vale a ressalva que a mulher canta muito, goste ou não do estilo musical, ela realmente sabe o que faz em cima do palco. Mesmo ser ser uma groupie enlouquecida, saí de casa com duas horas de antecedência, justamente para pegar um bom lugar já que eles não eram numerados. Dito e feito, apesar de já ter bastante gente, encontrei um lugar adequado na área para cadeirantes, embora o que menos via ali eram cadeirantes. Pessoas ocupando indevidamente o lugar e ambulantes apoiando isopor nas vagas eram os mais presentes.

Com certo tempo de cadeira, acabei adquirindo uma tolerâcia a falta de respeito com os deficientes e deixo passar muita coisa para não criar problema, mas as vezes o limite é extrapolado. Antes de começar o show, a todo instante as pessoas entravam na minha frente sem sequer pedir licença, como eu via que estavam apenas procurando amigos, deixava. Prestes a começar, a cena se repetia, mas desta vez para ficarem ali mesmo, em pé, bem na minha frente. Ao serem cutucas e solicitadas a deixarem o local pois estavam me atrapalhando tive até que ouvir "Ah, mas eu sou muito fã, fiz até escovinha para vir ao show". INACREDITÁVEL, até por que se chapinha desse preferência pra alguma coisa o tal Feliciano já era Presidente da República.

Na hora de sair é que a coisa complicou, me senti num episódio de Walking Dead. Era gente por todos os lados batendo na minha cadeira sem o menor constrangimento. Ao chegar ao portão em que entramos, logo ouvi uma gritaria "Abre, abre, abre!", eram os mesmos zumbis, andantes, que protestavam diante de um portão "fechado", porém o portão não estava fechado e sim reservado para a saída exclusiva de pessoas Portadoras de Necessidades Especiais. Aliás, guarde bem essa sigla: PNE e quando a ver, se você não tiver alguma necessidade especial saiba que seu lugar é bem longe dali.

Enfim, conseguimos invadir a multidão literalmente atropelando o povo. Se você estava nesse portão e teve seu pé, canela, perna atropelada ou cortada por uma cadeira de rodas saiba que FUI EU! Caso esteja indignado com isso, venha ao meu encontro e terei enorme prazer em lhe dar uma aula de boas maneiras e respeito ao próximo, coisa que ontem tive que deixar de lado por ter atingido o meu limite da tolerância e do desrespeito.

"Guarda a lição do passado, mas não percas tempo lastimando aquilo que o tempo não pode restituir." 
André Luiz

Na vitrola:

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