quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A assustadora geração de pessoas descartáveis

Chegamos a um nível em que, se um relacionamento dá problemas, terminamos imediatamente. Se temos alguém em nosso círculo que nos fez mal, não somos capazes de superar ou perdoar. Se um aparelho quebrou, nós não consertamos, jogamos fora. Se o país está com problemas, não discutimos soluções, trocamos o presidente.
 
A baita falha nisso tudo é que nós nunca dialogamos, pensamos, agimos em conjunto ou cooperamos. Não que tudo possa ser salvo sempre, mas será possível que nada mais mereça a tentativa? A segunda chance está morta e enterrada. Se não está me trazendo benefício, eu me livro. É assim que parece ser.
 
Uma história de amor real tem problemas. Num romance de verdade você se decepciona, descobre defeitos da pessoa, descobre defeitos seus, mas, se algo é importante,  seja um namoro, uma profissão, um curso ou a sua vida , você precisa se esforçar.
 
As relações humanas não são tão preto no branco como se imagina. Elas nunca são divinas ou tão pouco um completo desperdício. Não importam os contras, é preciso ser obstinado e ter garra. Não é simplesmente jogar fora, terminar, se demitir, trancar o curso, que vai fazer com que tudo fique bem. 
 
O mundo não é cor-de-rosa e está tudo bem em não ser. Amar o mundo exige não idealizá-lo. Remediar os problemas é uma delícia. Não sejamos hipócritas: tomamos remédios para dor de cabeça quando necessário e bebemos quando estamos relaxando, ok. Todavia, só remediar todo e qualquer obstáculo não é o caminho mais eficaz para se levar pela vida inteira.
 
Você tem o poder de pegar seus problemas pela raiz. É difícil. Dói. Provavelmente você vai perder muita coisa que parecia segura e eterna. Mas, com toda a sinceridade do mundo, vai valer a pena.
 
Adaptação de um texto de Augusto Assis, muito bom por sinal e o qual eu adoraria ter escrito. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Da boca pra fora

O tema do preconceito é recorrente, volta e meia surge um caso novo. Alguns mais graves, outros mais explícitos, porém o que tem me incomodado são justamente os casos mais velados, o preconceito silencioso e pra mim, o mais perigoso. Todo preconceito é ruim, mas se tiver, que ele seja assumido. Pelo menos assim temos como enfrentá-lo e escolher se queremos ou não conviver com ele.

O grande problema é que as pessoas pregam um discurso, vão à igreja todo fim de semana, se espantam quando assistem um caso de preconceito na TV, mas na primeira oportunidade, numa conversa mais reservada, agem de maneira contrária ao discurso formal. Falar mal da opção sexual do fulano, do haitiano que recém chegou na cidade ou do deficiente que só reclama da falta de acesso é quase um hobby. Acabam falando tão naturalmente que as vezes nem se dão conta do absurdo por traz de tudo isso.

Hoje moro numa cidade pequena, onde qualquer coisa fora do "normal" facilmente se destaca. Eu, por estar numa cadeira de rodas, faço parte dos anormais. Não me senti assim uma ou duas vezes, acontece sempre. Ao chegar num restaurante ou numa loja qualquer, viro atração. Me sinto quase num filme do exorcista, basta chegar pra começar a ver os pescoços virando quase em 360º para ver o cadeirante. Fazem isso sem a menor discrição. Tudo bem, que olhem, não há problema nisso, mas por favor sejam discretos e, após olhar uma vez, tentem se acostumar e não continuar encarando repetidas vezes.

A sensação de ser observado a cada movimento (e olha que eu faço poucos) é péssima. Se você tem dúvidas, curiosidades, fale comigo. Apesar de me sentir como um extraterrestre, eu não mordo e ficar perto de um cadeirante não te transformará em um. Repito, entendo a curiosidade, mas ninguém gosta de ser apontado na rua, seja por estar numa cadeira de rodas, por gostar de alguém do mesmo sexo ou por ter uma cor de pele diferente da sua.

As pessoas são diferentes, umas por opção própria, outras não e é justamente aí que está a graça da vida. Portanto, aprender a respeitar é essencial. Apenas o discurso contra o preconceito já não basta mais, é preciso agir, ter atitude e dar exemplos. Não espere até um filho seu ser homossexual para compreender os gays. Não espere até um acidente deixar um familiar numa cadeira de rodas para aceitar os deficientes ou ao menos conseguir conviver com um. Comece agora, afinal ninguém sabe o que o futuro nos reserva. 

Ser tolerante e respeitar as diferenças não é tão difícil assim, basta um pequeno esforço para fazer grandes mudanças. Eu garanto.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A história da Gabi

Quando criei o blog foi com o propósito de divulgar a minha história e conseguir recursos para minha recuperação. Graças a Deus e a ajuda de inúmeras pessoas, deu tudo certo. Conheci pessoas maravilhosas que me ajudaram das mais variadas maneiras. Através do blog, até hoje recebo histórias de pessoas com casos parecidos com o meu e outros nem tão parecidos assim, mas quase sempre com histórias impressionantes e que por vezes me fazem repensar e lembrar o que realmente importa na vida.

Sei que nem sempre é fácil colaborar financeiramente, mas as vezes o simples fato de compartilhar já pode fazer a mensagem chegar a quem possa ajudar. Conto com vocês, mais uma vez.

Abaixo o texto que recebi com toda a história.

"A história da Gabi.
Conheci a Gabi na escola. Estudamos juntas no colégio e ficamos muito amigas. Ela era um amiga incrível! Sempre compreensiva, pronta para ajudar quem precisasse. Não tinha quem não gostasse dela! De verdade! Já sabia que seria psicóloga (e já treinava com as amigas, sempre ajudando e dando ótimos conselhos.)

Como psicóloga, sempre foi determinada e romântica. Nunca quis trabalhar em RH de empresas, por mais que o lado financeiro fosse mais atrativo (e olha que ela precisava, viu! Andava sempre dura…). Trabalhou na ala infantil do hospital do câncer (contava histórias de arrepiar), na Casa da Aids e na Associação dos Moradores de Rua de São Paulo. Sempre quis ajudar quem precisava. Trabalhava feito doida. Antes de toda essa historia que vou contar, ela atendia em uma clínica onde sua rotina era uma loucura! Uma vez vi a sua agenda de pacientes do dia e fiquei chocada! Era tanta gente!! Costumava perguntar como ela aguentava ouvir tantos problemas num dia só… Ao mesmo tempo, construía sua carreira como psicóloga de consultório, atendendo pacientes particulares. Ela amava ser psicóloga, apesar de toda dificuldade da profissão.

Bom, continuamos muito amigas até hoje. Entretanto, a vida complicou um pouco as coisas para a Gabi…Quando ela estava grávida da primeira filha, vivendo um momento muito feliz depois de um período muito triste (a mãe dela tinha falecido há uns 6 meses, de câncer) os sintomas da doença começaram.

O começo foi uma dificuldade para ir ao banheiro. Ela fez um ultrassom de bexiga e quando levou ao Urologista, ela já estava sentindo uma fraqueza nas pernas. Quando o médico a viu caminhar com dificuldade, pediu que ela fosse direto ao hospital para fazer exames. Seguindo a recomendação do médico, ela saiu do consultório e foi direto ao hospital e acabou sendo internada no mesmo dia. Era setembro de 2013. Lá reviraram a Gabi do avesso, mas os médicos não conseguiam diagnosticar o problema e a doença piorava a cada dia. As pernas paralisaram, depois os braços, as mãos, o tronco, a visão foi ficando escura até apagar totalmente. A dificuldade para deglutição era grande, então foi introduzido um tubo no estômago para que a alimentação fosse efetuada sem que houvesse o risco dela aspirar o alimento. Todo este tempo, a Flora crescia dentro da barriga dela. Neste momento, ela já respirava com muita dificuldade, então foi decidido que seria necessário uma cirurgia para fazer a traqueostomia.

No dia 04 de novembro ela foi para uma cirurgia na qual o parto foi realizado. Flora nasceu com 26 semanas e foi direto para a UTI Neonatal, onde permaneceu por 3 meses. A Traqueostomia foi realizada e a Gabriela foi internada na UTI. Foi um período muito dificil. Aos pouco a respiração dela foi melhorando e ela pode sair da UTI e voltar para o quarto.

Neste ponto, a doença estacionou, pois até então avançava a cada dia. Foi terrível, não havia diagnostico, nenhum tratamento proposto pelos médicos conseguia fazer a doença parar. Após quase 3 meses do nascimento da Flora, as duas puderam se conhecer. A Flora foi conhecer a mãe no quarto do hospital. Já não era possível enxergar, pegar ou tocar na filha, pois seus movimentos já estavam limitados à poucas manobras com a mão direita, e a visão totalmente apagada.

Flora recebeu alta e foi para a casa da Tia da Gabi, que deu todo apoio e amor para a pequena, mas a Gabi continuou no hospital. Houve uma alta, após muita burocracia do plano de saúde para liberar o home care (ela precisa de cuidados 24 horas por dia), mas ela teve que retornar ao hospital depois de poucos dias na casa de seus tios.

A alta definitiva ocorreu após aproximadamente um ano de internação no hospital (por volta de setembro de 2014), quando ela foi para sua casinha, junto com seu marido, o Edu, que é um marido exemplar e cuida da Gabi com muito carinho. A Flora ainda demorou algumas semanas para juntar-se a seus pais na sua casa.

Até hoje a situação é a mesma, nada melhorou. Na verdade, como já informado outras vezes, a situação tem piorado cada dia, pois o estado psicológico é péssimo, ela está afundada em uma depressão da qual estamos tentando tirá-la com auxilio de médicos, terapeutas e remédios. O estado físico também se deteriorou bastante, pois a depressão faz com que ela não tenha vontade de fazer as fisioterapias, que são essenciais para, pelo menos, manter seu estado físico (muscular). Está cada vez mais difícil entender sua fala. A alimentação continua sendo efetuado via gastrotomia.

Com a ajuda de um grupo de amigos, a Gabi começou um tratamento mais intensivo na Fundação Selma na semana passada. O tratamento psicológico está surtindo algum efeito, pois ela tem se mostrado mais animada para a fisioterapia.

A Flora, está ótima, maravilhosa, cada dia mais linda. Entretanto, também luta diariamente na fisioterapia para se livrar das consequência de uma paralisia cerebral, decorrente de uma convulsão que teve com poucos dias de vida na UTI Neonatal. Os médicos estão muito otimistas, acreditam que ela terá uma ótima recuperação. Outro obstáculo para a Flora, foi um problema cardíaco que a levou a uma cirurgia cardíaca com 1 mês e meio de vida. Ainda é possível que ela seja submetida a outras cirurgias no futuro para corrigir definitivamente este problema.

Os tios (os pais da Gabi já faleceram) ajudam muito, assim como o resto da família e amigos próximos, mas as despesas são muitas, tanto para a Gabi, quanto para a Flora, por esta razão iniciamos esta campanha para arrecadar fundos para comprar um carro adaptado para que nossa amiga possa ser transportada de forma adequada e segura para a fisioterapia, para os médicos e também para casa dos amigos (ela precisa de um pouco de distração, algo que a tire da escuridão).
Já conseguimos quase R$ 35.000,00 com a doação de pessoas maravilhosas que se sensibilizaram com esta historia tão difícil. Precisamos, ainda, de R$ 20.000,00 (o valor do carro é cerca de R$ 55.000,00). Quem puder ajudar, agradecemos de coração! Obrigada!

A Gabi pediu que eu agradecesse a todos que ajudaram. Ela ficou muito feliz e sensibilizada com o apoio de tantas pessoas. Lembramos que as doações devem ser efetuadas na conta abaixo e pedimos que os doadores enviem um e-mail para nossa a amiga Pri (titular da conta) – pri.cmtf@gmail.com – com nome, CPF e valor doado para que ela possa justificar para o Imposto de Renda a entrada do dinheiro como doação, e quem doar poderá fazer o mesmo.

Banco: Santander Agência: 0083 CC: 01055090-3 
CPF: 268.008.198-67 
Nome: Priscilla de Carvalho Monasterio Telles Ferreira"

Fonte: www.minhasdikas.com

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sem terra arrasada

A semana do Grêmio começou com a provável saída de Rhodolfo e as sondagens ao Wallace, depois tivemos a confirmação da lesão do Marcelo Oliveira e o Galhardo com desconforto. Por fim, veio a derrota em casa pela Copa do Brasil depois de 16 jogos de invencibilidade. Pronto, terra arrasada? NÃO!

É justamente isso que não pode ocorrer. Perder é péssimo, em casa então é de tirar o sono. Porém, o Grêmio é limitado, não a ponto de perder para o Criciúma, mas o grupo é frágil. Temos um time, não um elenco. Desde que Roger assumiu, o Grêmio vem atuando com a corda esticada. Time algum consegue manter isso por muito tempo. Ainda mais com a sequência de jogos em quarta e domingo que se aproxima.

Contra o Criciúma, o Grêmio não foi tão mal assim, o time criou inúmeras chances e pecou no erro que Roger ainda não conseguiu corrigir, as finalizações. Uma até entrou, mas foi mal anulada pela arbitragem. 

Enfim, analiso mais adiante: o Grêmio pode ir a Criciúma e reverter? Com certeza. Porém, caso seja eliminado nada preocupa, acabará caindo de paraquedas na Sulamericana, que pra mim, tem suas vantagens. A competição continental tem times mais fracos do que a Copa do Brasil, que já na próxima fase recebe os eliminados da Libertadores. Então, há males que vem para o bem!

Agora a torcida não pode fazer terra arrasada. O Grêmio perdeu, é ruim, é chato e como desgraça pouca é bobagem o rival ainda pode piorar a nossa semana, mas paciência. Para voltar a ganhar temos que esquecê-los por um tempo. Deixem o Roger corrigir os erros e façamos a nossa parte. Derrotas virão, o Grêmio não será campeão brasileiro, aliás, no começo do ano se o time não caísse para a Série B já ficaríamos felizes, então calma. A realidade do Grêmio é o meio da tabela no Brasileiro e quem sabe, com muita sorte, beliscar uma Sulamericana. 

Se a torcida colaborar, entender o momento e abraçar o time, é possível.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Apertem os cintos


*texto escrito no dia 15 de fevereiro, após duas derrotas seguidas em casa pelo campeonato gaúcho. Como o time melhorou, não publiquei, agora acho que serve novamente.

O ano de 2015 não será apenas mais um ano sem títulos para o Grêmio, será um ano de sofrimento como jamais vimos na história. Um ano onde o principal objetivo será o de se manter na elite do futebol brasileiro, algo muito distante da grandeza do clube. A política de contenção de gastos era necessária, talvez não de forma tão drástica, mas já que foi feita só nos resta, como sempre, torcer e torcer muito. Preparem as orações, convoquem os santos, acendam as velas e peguem a calculadora para fazer muitas contas em busca do nosso maior objetivo neste ano: somar 45 pontos no Campeonato Brasileiro.

Desde 2006, quando o campeonato passou a ser disputados por 20 equipes, a menor pontuação de um time rebaixado nos pontos corridos foi de 38 pontos em 2014 e a maior foi de 45 pontos em 2009. Como desgraça pouca é bobagem, vamos adotar o pior cenário, com os 45 pontos e calcular o que será preciso fazer para chegar a pontuação que nos libertará de mais um vexame.

FAZENDO AS CONTAS
45 pontos são 12 vitórias e 9 empates, o que permite que uma equipe perca assombrosas 18 vezes entre os 38 jogos do campeonato. Desde 2006, a maior quantidade de derrotas do Grêmio foi de 16 em 2011 na pior campanha do clube, quando somou 48 pontos e terminou em 12º. Neste ano, o último time rebaixado somou 44 pontos.

Mas vamos ao campeonato de 2015. Com um elenco recheado de garotos da base, mesmo que venham alguns reforços, será possível somar os sonhados 45 pontos? Será que é possível vencer 12 vezes e empatar outras 9?

Vamos as hipóteses, começando pelas vitórias. Contra times de menor orçamento, mesmo que isso não signifique que eles sejam de menor qualidade, é obrigação vencer, principalmente em casa. São eles: Joinville, Avaí, Figueirense, Chapecoense, Sport, Goiás e Ponte Preta. Os paranaenses do Coritiba e do Atlético-PR sempre complicam, mas na Arena, são jogos que teremos que vencer, assim como Vasco, que recém subiu da Série B e o reformulado Santos (na época em que escrevi o Santos não estava bem como agora, mas vou deixar assim). Se vencermos estes times em casa, já teremos 11 vitórias e 33 pontos na conta.

Já com times da mesma grandeza e que possam estar envolvidos em outras competições como a Libertadores e/ou finais da Copa do Brasil, vou me ater ao retrospecto e por na conta mais uma vitória contra o Corinthians e 3 empates contra São Paulo, Atlético-MG e Cruzeiro todos na Arena. Assim, teremos mais 6 pontos, somando 39 no total (somente nos jogos em casa).

Desta maneira restaria ao Grêmio alcançar mais 6 pontos para escapar da degola. Por pior que o time seja, uma vitória fora de casa sempre acontece, mesmo assim vou optar pelo pior cenário e não contabilizarei nenhum triunfo como visitante em 2015, algo que nunca ocorreu com o Grêmio (O pior ano como visitante foi em 2009, apenas uma vitória sobre o Náutico). Fora de casa contarei apenas dois míseros empates, contra a Chapecoense e o Figueirense (vale lembrar que em 2014 o Grêmio venceu todas as partidas em Santa Catarina). E para salvar a tão sofrida alma tricolor, mais 4 empates em casa contra Inter, Palmeiras, Flamengo e Fluminense nos dando assim os tão desejados 45 pontos.

RETROSPECTO
No papel nem parece tão difícil a meta de 12 vitórias e 9 empates. Afinal, desde 2006 o número mínimo de vitórias do Grêmio foi de 13 (em 2011) e de empates foram 9 (em 2008 e 2011). Repito, se a teoria acima se confirmar, o Grêmio terá perdido assombrosas 18 vezes, fato que jamais aconteceu na história do clube. O número máximo de derrotas até hoje foi de 16 (em 2011).

Porém, a cada palavra digitada neste texto me vem a lembrança dos jogos recentes do Grêmio (texto escrito em fevereiro de 2015) e começo a temer pelo pior novamente. Não será fácil. A torcida não deve deixar de pagar as mensalidades de sócio e muito menos deixar de ir aos jogos. Vamos perder em casa? Vamos. Vamos perder fora de casa para times menores? Provavelmente. Porém, até mesmo em jogos menores, contra Chapecoense, Avaí, Sport… temos que fazer da Arena um inferno para os adversários, teremos que jogar junto. 

O estrago já está feito, o ano será trágico, mas se sobrevivermos, o futuro será promissor. Começar 2016 com a casa em ordem, sem dívidas, com um treinador que conhece o clube melhor do que todos e provavelmente com a gestão da Arena sendo 100% do clube será um ótimo negócio. Volto a dizer, discordo da maneira como foram feitos os corte nos gastos, mas ninguém que está no comando quer a desgraça do clube, então vamos junto, vamos fazer o que nos é possível fazer. Associem-se, apoiem durante os 90 minutos e defendam o Grêmio. Já fizemos isso antes e tenho certeza que faremos novamente.
Obs.: a projeção acima foi feita antes da tabela ser divulgada, o Grêmio estreou em casa contra a Ponte Preta e já começou devendo pontos, deixou escapar dois.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

É tudo psicológico

Chegou o inverno e com ele uma das coisas que mais me irrita. Porém se engana quem pensa que é o frio, o que mais me irrita é quando alguém te vê com casaco, capuz e ceroula (a pessoa vestida igualmente ou pior) e mesmo assim solta a fatídica e irônica pergunta: "Ta com frio é?".

Aqui no sul é ainda pior. Afinal gaúcho não sente frio, ou pelo menos jamais admite. O problema não é nem tanto em me fazerem tal pergunta, mas em quem a faz e jamais assume estar com frio. A pessoa visivelmente está desconfortável, batendo os dentes e quase não se mexe. Mas quando perguntam se ela está com frio a resposta é sempre a mesma: "Capaz!".

Comigo é ainda pior e vou, mais uma vez, tentar explicar. Tetraplégicos não gostam de frio. Eu até gostava, mas quando morava em Brasília e o frio era aquele ventinho na beira do lago com a temperatura na casa dos 20º. Era lindo.

Pois bem, o exemplo mais fácil de se dar da minha aversão ao inverno é justamente com a estação oposta. Uma pessoa normal consegue manter a temperatura corporal constante. No calor, o corpo percebe a temperatura alta, envia um sinal para o cérebro através da medula espinhal e o cérebro responde com um sinal, também via medula espinhal, para o corpo transpirar e consequentemente abaixar o temperatura. Tudo perfeito. Porém, em quem tem uma lesão medular, o caminho por onde o sinal passa está interrompido, impedindo assim que o corpo trabalhe normalmente.

Como consequência disso, eu não transpiro, nem mesmo numa sauna. Sendo assim, quem tem lesão medular se obriga a controlar a temperatura corporal de outras maneiras. Não sofro tanto no verão, mas no inverno quase sempre sinto mais frio que o normal. Outro fator que me complica é por ter uma placa e quatro parafusos no pescoço. Quando pego vento a sensação é de uma faca entrando lentamente na minha nuca. Sinto dor, os músculos se contraem, o corpo fica dolorido e eu não consigo e nem quero fazer mais nada.

Por isso evito sair para lugares abertos no inverno. Se saio encasacado sou fresco e se não saio sou antipático (isso quando não pensam que estou em depressão). Pra mim, qualquer temperatura perto dos 15º é um parto. O capuz é de longe o meu melhor amigo. Primeiro porque ele esquenta o pescoço e segundo porque quando o uso ele jamais me pergunta se eu estou com frio.

Na vitrola
"I just wanted something to believe in"

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Rir ou não rir, eis a questão

Hoje me perguntaram porque faço piadas comigo ou com o fato de ser cadeirante. Respondi com outra pergunta: por que não fazer?

Não vejo o menor problema em rir dos nossos problemas. Sejam eles maiores ou menores do que os dos outros. Problemas todo mundo tem, o que muda é a maneira com que lidamos com eles. Eu os trato assim, no riso. Se isso magoa ou entristece alguém, aí o problema já não é mais meu.

Costumo dividir os problemas em dois simples grupos: os resolvíveis e os não resolvíveis. Se forem do primeiro grupo, ótimo. Ache a solução e corra atrás dela. Agora se forem do segundo grupo, paciência. Afinal, se não há remédio, remediado está. Seja uma doença terminal, uma morte ou uma tragédia causada pela natureza. Acontece, não adianta, problemas surgem para todos e não cabe a ninguém compará-los um com o outro. Deus dá a cruz conforme o peso que cada um aguenta. 

Agora uma coisa eu te garanto, se lamentar por um problema não vai te ajudar em absolutamente nada. Na pior das hipóteses só vai te trazer mais problemas e fazer com que as pessoas se afastem de você, te deixando isolada justamente quando você mais precisa delas.

Ninguém gosta de problemas, ainda mais se forem dos outros. Portanto lide com eles, os aceite, aprenda e só os contem pra quem realmente possa te ajudar. Caso contrário, apenas faça piada.

Feliz 2015!